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Contagem regressiva


Teima o tempo em destruir ilusões
e meu coração,temeroso, escuta
o silencioso desmoronamento..
cruelmente planejado...
um árduo trabalho ao inverso,
enchendo de poeira o universo.
Quer empurrar-me o tempo
para a contagem progressiva
enquanto teima o coração
em sua batida regressiva.
Quer o tempo que meus olhos
se distraiam fascinados
pelo brilho ainda não visto.
E ensinar-me novas palavras
totalmente libertas do passado
enterrando no sepulcro escuro
o cadáver do verso já rimado.
Finge o tempo trazer-me a paz
da primavera perfumada...
simula estradas verdejantes
e sóis e luas recem-criados.
Quer levar-me no turbilhão
de todos os dias que jamais voltam.

Mas, aproveitando um mínimo descuido,
corro às janelas entreabertas do tempo
e olhando para trás, contemplo sôfregamente,
imagens ainda não absorvidas plenamente..
Então, abrindo o sepulcro, deixo que o vento
solte o verso que ainda nem viveu,
aquele que sonha com mais rimas...
Verso prematuramente enterrado
mas que ainda não morreu.

janeiro/2006
Mareluz
Enviado por Mareluz em 11/09/2006
Código do texto: T237667
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Sobre a autora
Mareluz
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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