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A CHUVA

Chovia numa insólita tarde,
chuva gostosa, bendita, esperada,
mansa sem alarde,
e ali espiando pela janela,
vendo essa água desejada,
caindo translúcida,
beijando a terra dos sofredores,
lavando os pecados,
removendo a poeira, a sujeira
dos pecadores,
e da vil tirania,
embeveci-me com a cena,
destes alegres pingos,
numa poça pequena;
De repente a chuva parou,
o sol se fez, e com soberania,
impôs sua eterna lei,
a água furtiva, rolou
e pelo chão se infiltrou,
escondendo-se do astro rei,
neste momento, não sei porquê,
lembrei-me de você,
bateu um certo quê
de nostalgia,
talvez mágoa,
de um certo dia,
de um certo adeus,
de um coração ferido, perdido,
confuso, partido,
e neste devaneio,
percebi, como a chuva que cai,
e escoa,
o amor sem cuidado,
com o tempo voa
e lentamente se esvai ...


dez/03
Andrade Jorge
Direitos Autorais reservados
Registro Fundação Biblioteca Nacional/RJ


ANDRADE JORGE
Enviado por ANDRADE JORGE em 11/09/2006
Reeditado em 25/02/2014
Código do texto: T237706
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
ANDRADE JORGE
Jundiaí - São Paulo - Brasil
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