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Sem título(10)

Quando lá fora, o mundo era maior

que minha casa,

eu saía e perdia-me em longos passeios.

e já não sei porque mistério, ou supremo desígnio,

findava sempre a caminhada

observando o pastor, no calmo apascentar

do seu rebanho.

E era bom sentir

a paz, a serenidade e a sabedoria do pastor.

A singela sapiência, de quem está em harmonia

com a natureza!

A perene tranquilidade

de quem se entende com os deuses,

o miraculoso entendimento sem palavras

e orações desnecessárias.

Viesse chuva, e ele queria chuva,

e se brilhava o sol, era largo o seu gesto de gratidão.

Repetia eu, todos os dias,

este deleite dos sentidos, recebendo esta dádiva

como se fosse o meu devido, e único pedaço de vida.

Que mais de vida e na vida nada possuísse,

estes eram, momentos bastantes, p`ra sentir

a serena felicidade, pairando em meu redor.

Deitado na erva, olhando o céu de olhos fechados,

degustava, como opíparo banquete,

a generosa lição de existência do pastor!
Regressava a casa já com a lua no caminho,

e com um angustiado desejo,

de coração apertado e a alma em sobressalto,

apenas ansiava que a minha casa fosse sempre pequena,

tão pequena que me permitisse sair todos os dias

ao encontro do meu pedaço de vida!





          Dionísio Dinis
Dionísio Dinis
Enviado por Dionísio Dinis em 18/09/2006
Código do texto: T243459

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Sobre o autor
Dionísio Dinis
Portugal, 54 anos
126 textos (5406 leituras)
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Dionísio Dinis