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BEIJO DE BOCA

— Vamos brincar de molhar a boca?

Convidava a namoradinha
vinda com os lábios molhados.

Bocas, antigamente,
falavam com os sentimentos
descobertos na maior simplicidade.

Brincar de molhar a boca
era uma senha – ou convite? –
dedicada aos hormônios orquestrados.

Não é à-toa que os namorados se convidam aos sorvetes!

Aprender a molhar a boca
seria a brincadeira séria
de esconde-esconde
das duas línguas
ao público.

Gostar de molhar a boca
seria o sinal definitivo
às cabras-cegas
de mau-hálito
pro amor.

Não é à-toa que os apaixonados mostram os dentes à felicidade!

Antes que a cumplicidade
dance ao ritmo do salão de baile
os lábios, umedecidos e agradecidos,
procuram o gosto da intimidade da saliva.

Não é à-toa que as palavras não saem quando a boca beija respondendo!

Tantos foram os soletrados
que, de cor, deveria tê-los assimilado
mesmo com inchaço dos lábios gastos
pelo silêncio de tanto e tanto aprendizado.

Não é à-toa que o desgovernado coração sai pela boca!

Mas, um dia, os espíritos, sem ânsias
tranqüilizarão a brincadeira úmida
de molhar outras bocas adultas
apesar do gosto da infância.

O beijo de boa-noite será fundamental
    - na saliva-benta de cada dia sem desgosto –
apesar da pressa dos lábios quase fugitivos
pelas ruas em busca de beijos de boca.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 15/06/2005
Código do texto: T24854
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho