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CONTRA-CORRENTE

Vamos fazer uma corrente com os gomos
e elos das correntes que prendem
prisioneiros políticos
que pensaram o pensar
além das correntes
pensadas e pesadas.

Do que falo eu?

Falo das crianças que virão amordaçadas e acorrentadas
aos elos enigmáticos daqueles que pensam correntes
dentro da rede que enreda quem não sabe para que serve
pescar mentes e acorrentá-las ao elos do Grande Irmão.

Do que falo eu?

Falo da T.V. ligada incessamente dentro da lata de sardinha
e que ruge seus estranhos mantras enquanto crianças perdem seus movimentos até completarem o ciclo de serem só pensamento e sem nenhum vestígio de ação.

Do que falo eu?

Falo da urna que receberá seu corpo-voto depositado
pelo fausto ócio que acoberta a coragem insana de uma
América cristalina e humana mas que dormiu seus
mil guerreiros enquanto o cheiro de um hambúrguer
tritura a penugem que nasce dentro de cada nariz.

Do que falo eu?

De um cineasta movendo o plasma à procura da arma
que vitima povos e seus ovos que nunca geraram filhos
alucinados com um Zapata ou um Guevara devotado
que nasceu nas sombras do aço verde e que nunca mais
andará de motocicleta sobre as pastagens do cone-sul.

Do que falo eu?

Falo, por acaso, do acaso.




Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 25/09/2006
Reeditado em 25/09/2006
Código do texto: T249121

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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