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Você pensa que seu dinheiro pode fabricar máquinas
para fabricarem versos com gosto de arruda e alecrim?
Nem pense nisso..
Os versos são como crianças que nascem de dentro
e dentro das máquinas só há óleo e ferro e rangidos...

Você pensa que seu dinheiro pode vestir palavras
com roupas coloridas como se fossem bonecos?
Nem pense nisso...
As florestas guardam peles de flores para novos poemas
que hão de surgir no começo da estrada do amanhã...
A poeira do caminho se levantará e novas tempestades
nascerão nas cabeças daqueles que penduram sonhos
em varais de estrelas que sempre brilham para quem vê...

Você pensa que seu supermercado matará a fome
dos poetas que se alimentam de gotas que caem do céu?
Nem pense nisso...
Mesmo que não se veja a luz alimentará pequenos
hai-kais, a fé será comida a trovas e a sonetos e a odes
e a estranhas poesias nascidas no universo de cada um,
cada um que caminha em direção ao portal que se abre
a quem ama e crê com a vontade do lenhador,
com a força da correnteza, com a leveza dos planetas,
com a mágica que brota no coração do novo amanhã...

Você pensa que seu dinheiro pode vencer a tinta
que escorre dos lábios do bardo feliz e exultante
que expele o big-bang de sua alma e nos conta
como é dificil ser e deixar viver?
Nem pense nisso...
N'algum canto do mundo alguém chora sobre seus versos,
sorri com aqueles que ouvem muito além das rodas dentadas,
venceu o medo e entrega o que recebeu,
pulsa como um estrela que nasceu antes dos tempos medidos,
vê na terra os mapas dos caminhos que irá percorrer,
vence a disputa e ergue o cálice cheio de sol
que alimenta os corações sinceros
e brinda ao novo dia que vai nascer.


 

Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 26/09/2006
Reeditado em 29/09/2006
Código do texto: T249886

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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