Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

E POR FALAR EM LERO-LERO...

E por falar em lero-lero...

Ouvi muita gente me aconselhar
Que antes de em poesia pensar
Prudente seria, primeiro estudar
Aí eu poderia, após me diplomar
Quem sabe então me aventurar.


E por falar em lero-lero...

Nem as sílabas eu sabia contar
Desconhecia a palavra versejar
Precisava entender como rimar
Disseram pra eu ler e pesquisar
Caso eu pensasse em continuar.


E por falar em lero-lero...

Por ser curioso, morreu o rato
Feito pato, ao gemido do gato
Suas rimas são pobres de fato
Tome atitude, use mais o tato
Deixe de agir tal um insensato.


E por falar em lero-lero...

Para a família, sou quase louco
Para os ex-amigos, falta pouco
Ao povo, não agrado tampouco
Talvez, se eu gritar como louco
Internem-me só por ficar rouco.


E por falar em lero-lero...

Pare de usar esta tal forminha
Disse-me uma fiel amiga minha
Esqueça esta estética fominha
Sem emoção ninguém caminha
Poesia não se faz usando linha.


E por falar em lero-lero...

Analisando o tamanho da mente
Tratei meio mundo por demente
Debochei da saia-justa do ente
Chamei todo carente de doente
Xoco late por chocolate quente.


E por falar em lero-lero...

Inventei que um Poeta Acácio
Embirrava com a Flor do Lácio
Depois de comer um Carpaccio
Mudei de rima sem fazer plágio
Livrei-me de um mau presságio.


E por falar em lero-lero...

Se de cara o meu verso embola
Vou em frente, não largo a bola
Cara encara e a carambola cola
Não passo bola pra quem enrola
Pois o tal preconceito ainda rola.


E por falar em lero-lero...

Ouvindo sinfonias no que pinga
Embriaguei-me com mel e pinga
Falei tudo que em mim respinga
E aquilo que só na polícia pinga
Mas, esqueci da seca caatinga.


E por falar em lero-lero...

Graça deu um trato na carcaça
Mesmo assim caiu em desgraça
Já que na vida até a dor passa
Minha pele parece a uva-passa
Então fiz esta piada sem graça.


E por falar em lero-lero...

Tina Porfina e a sua triste sina
Vive entre a faxina e a esquina
A sustentar Dina, sua Cafetina
Tina terá que repassar cocaína
Ou tentará a sorte na jogatina.


E por falar em lero-lero...

Vivo a brincar vestindo fantasia
Falo da dor com humor e alegria
Não aceito quem faz demagogia
Nem sei conviver com hipocrisia
Procuro não perder a tal euforia.


E por falar em lero-lero...

Divirto-me com o amor e o drama
Sonho que sou imbatível na cama
Sou galã ou vilão na minha trama
Faço o canastrão que só reclama
Aplaudo o show do meu programa.


E por falar em lero-lero...

Escrevo da forma que eu quero
Falo que mais nada disto tolero
Danço forró escutando o bolero
Dizem até que libero! Será vero?
O povo adora ti-ti-ti e lero-lero!

E por falar em ti-ti-ti...
Aldo Lopes
Enviado por Aldo Lopes em 26/09/2006
Reeditado em 28/09/2006
Código do texto: T249978

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Aldo Lopes). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Aldo Lopes
São Paulo - São Paulo - Brasil, 60 anos
416 textos (37921 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 12:04)
Aldo Lopes