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OLHOS D'ÁGUA SECOS

Choveram cidades
[facilidade!]
pelas mulheres
chochas, chúmeas, chaveadas
por castelos de lã pouca
em cobertas
pelo tato
pelo teto
pelo samurai
de lâmina no peito aberto.

Choveram cidades
[fertilidade!]
pelas mulheres
fáceis, frígidas, futilizadas
por vitrines de butiques
em abertas
pela vidraça
pela mudança
pelo ponto vermelho
na testa dos filhos sem soluços.

Choveram cidades
[fatalidade!]
pelas mulheres
cheias, chulas, chateadas
dos andares sobre saltos
plataforma
tamanha altura
tamanha estatura
tamanha queda-fratura
por tombos levados pela vida dura.

Choveram cidades
[felicidade!]
pelas mulheres
próximas, pérfidas, paradoxais
com um ar-Deus
pelo querer,
sem mais perder,
o homem do guarda-chuvas
que aguarda o chover
para lavá-las
aos cantos mais estranhos da cidade
de ruas descalças
[pés dados]
pelos olhos d’água secos.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 28/09/2006
Código do texto: T251864
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho