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sou o que sou

sou o rumo bastardo,
o filho do adverso,
a reacção do petardo,
o poema sem verso.

sou o dia cinzento,
o olhar que descrevo,
a mágoa - lamento,
o luar que escrevo.
                       
sou a ave ferida,
o âmago da questão,
a  ânsia querida,
o menino do festão
                 
sou o mês de Setembro,
o dia que engana,
a razão que não lembro,
o final de semana.

sou a porta  aberta,
o sol da esperança,
a seara  deserta,
o sonho de criança.

sou o que não se rende,
o pardal madrugador,
a amarra que prende,
o sofrimento da dor.

sou a noite sem o fim,
o prazer que entrego,
a doçura do jasmim,
o corpo que esfrego.
               
sou o sol pela fresta,
o amor acabando,
a vida que não presta,
o homem desabando.

sou o tudo e nada,
o cão abandonado,
a tristeza danada,
o desprezo clonado.

sou o versejar banal,
o caminho sem norte,
a derrocada fatal,
o destino da morte.
João Videira Santos
Enviado por João Videira Santos em 29/09/2006
Código do texto: T252097

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Sobre o autor
João Videira Santos
Lisboa - Lisboa - Portugal
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João Videira Santos