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OS POETAS MALDITOS

Observando os poetas malditos
descendo do ônibus
no centro da cidade,
sinto um quê de compaixão
e perplexidade.
Com suas caixas de madeira,
cheias de guloseimas e versos,
os poetas malditos
tomam conta das esquinas.

E gritam como guerreiros
de alguma raça antiga,
gritam suas verdades,
suas histórias
em palavras de ritmo e movimento.
A cidade não os ouve,
enfurnada que está
em sua própria solidão.
Para muitos,
os poetas malditos
são loucos sem hospício.

Findo o dia,
vão para a parada
os poetas malditos
e esperam o ônibus
que os levará de volta
à periferia,
ao barraco coberto
de flandres e plástico,
paredes de madeira velha,
de compensado tufado.
Deitados em seus colchões sujos,
os poetas malditos engendram
a nova poesia.

A barriga dói de fome,
a cabeça dói de idéias,
mas a noite é um lençol
que cobre angústias
e medos e desamparo.
Os poetas malditos engendram
a nova poesia.

E a nova poesia
brota satisfeita
com a luz da manhã.





Francisco C
Enviado por Francisco C em 29/09/2006
Reeditado em 29/09/2006
Código do texto: T252203

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Sobre o autor
Francisco C
Porto Velho - Rondônia - Brasil, 48 anos
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Francisco C