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Castelos de areia

Parecem-me tantas vezes
infantis, inconsistentes,
estas palavras que lutam
para expressar meu sentimento.
Porque, no quadro todo,
falta o gesto, o olhar,
a lágrima, e até o sorriso,
todos os silenciosos códigos,
que o corpo expressa,
enquanto os vocábulos,
dançando provocativamente,
fogem ao meu domínio...
E,se acaso fingem obedecer
é, para logo em seguida,
(segundos, talvez)
esvaziarem-se
de seu pleno sentido...

Tão fácilmente a música fala
com as profundezas da alma,
tão prontamente,as cores da Vida,
atingem-me com seu óbvio encanto..
Tão lúdicamente, permite-me o espírito,
o esvoçar sobre fascinantes abismos,
sem nenhum temor...

Mas,quando as palavras despertam,
de seu provisório sono,
e irrompendo às portas do silêncio,
imploram-me a definição do gesto,
a dimensão das lágrimas,
a justificação do riso...
deixo-as entrar,sem discutir,
e,aqui mais uma vez, reconstruo
meus frágeis castelos na areia.

15/09/04  
Mareluz
Enviado por Mareluz em 30/09/2006
Reeditado em 08/10/2006
Código do texto: T253004
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Sobre a autora
Mareluz
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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