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"Vento"

Vento sorrateiro
Entra pela soleira
Do casebre esquecido pelo tempo
Trazendo lembranças
Daquele sonho distante
Perdido em algum lugar
De uma mente embrutecida,
Sonho, que escapou entre os dedos,
Durante a mocidade
E que um dia pensou
Ter sido levado pela poeira
De seus castelos a desmoronar
Em uma tarde cinzenta de outono
Mas ainda assim, de alguma maneira
Guardava em seu coração
Um resquício de fé
E uma espera insana, pelo retorno
De seus sonhos
E pela realização
- quase que impossível -
dos mesmos.
Mas ainda sim esperava e esperava ...
E nessa insanidade quase sã
Por essa espera vã
Deixou passar diante de seus olhos
Outros sonhos,
Outras pessoas,
Outros sabores,
Outros amores.
E enquanto isso, buscava, dentro de si
Aquele calor, que radiava alegria
E transbordava emoção
A todos ao redor
Mas estes estiveram sempre lá
Diante de seus olhos
Cegados pela dor, pela frustração
E hoje, seu corpo já quase sem vida
Apenas lamenta
Pelo tempo perdido
Pelos sonhos esquecidos
Pela cegueira escolhida
E pede, roga com todas as forças
Que o vento a leve
Para aquele tempo onde foi feliz
Onde havia vida
Onde suas lembranças
A levavam constantemente
A reviver cada momento
Não a deixando viver o presente
Aprisionando-a apenas no passado que se foi
Sem se quer dizer adeus!
E atendendo assim seu pedido
O vento a levou como uma folha seca ao chão
Quem sabe, talvez, atendeu assim seu pedido
E a levou aquele tempo aprisionado
Apenas em sua mente sofrida.

Paula Souza Castilho (02/10/06)
Paula Aprendiz
Enviado por Paula Aprendiz em 02/10/2006
Reeditado em 13/10/2006
Código do texto: T254375
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Sobre a autora
Paula Aprendiz
Indaiatuba - São Paulo - Brasil, 31 anos
13 textos (570 leituras)
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Paula Aprendiz