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Antônio Vivaldi de nossas vidas

VERÃO 1 aos 20 anos

Eu quero, eu desejo, eu vou!
Mesmo engatinhando, eu já sou!
Mas agora caminhando, tudo enfrenta,
Chega à adolescência, tudo agüenta,
À nada se submete e a todos peita,
Quando criticado, até ao mais velho desrespeita,
No esporte é o tal,
Sabe tudo, é o “fatal”,
Sempre está por cima, é líder da galera,
Elas passam gostosas e é só paquera,
Sonhos, muitos sonhos, tanto tormento,
Me chamam: “aborrecente”, mas eu nem esquento,
E lá vem a “facul”
Sem dinheiro, liso, que “dificul!”
Mas sou forte, e o diploma é grana,
Quero posição, quero ser bacana,
Quero um carro, mulheres mil,
Viajar com todas, pelo Brasil!

PRIMAVERA 20 aos 40 anos

E chega, enfim, o resultado de tanto estudar,
Toga, um bom currículo, enfim trabalhar,
Entre os colegas tenho o melhor diploma,
Falo inglês, francês, manjo até de genoma,
Chefe entra, chefe sai,
Fui promovido, vou ser papai,
Agora com mais grana e muitos prêmios,
Mas que susto, são gêmeos!
Ah viagem ao exterior, a negócios,
Um dia quero independência, quem sabe sócios,
Os filhos crescem, sem droga,
Viajar juntos – “e os filhos?” – ora bolas, com a sogra!
Segunda lua de mel,
Temos direito, tá tudo no papel,
Mas o primeiro cabelo branco e desponta uma barriguinha,
Acho que tenho que parar com aquela cervejinha,
Muito trabalho, mas a despesa só aumenta,
Meu Deus, eu estou chegando aos 40!

OUTONO 40 aos 60 anos

Agora mais resignado, procuro uma academia,
Bicicletas, esteiras, que monotonia!
Estranho freqüentar festas de graduação,
Mas eles sorriem simplesmente, anjos, meu sangue, meu coração,
Por um segundo o mesmo filme que um dia passei,
Foram iguais vitórias, que feliz provei,
Mas pintou dentista, uma pedra no rim,
Nunca imaginei que seria tão ruim,
Tantas ofertas, até auxílio funeral,
Aposentadoria, tratamentos, só coisa do mal,
“Pintar ou não pintar?”
Inteligente, mas meio sem graça, arrisco um "Shakespeare" usar,
“Grisalho é lindo!” ela diz,
Mas mente para me deixar feliz,
“Quem sabe uma cor, além da dieta”,
Digo a ela, sem certeza, meio pateta,
Sorrimos apenas, sentados na calçada,
Aposentado e tranqüilo, adeus governo, conta quitada.

INVERNO 60 aos 80 anos

O tinto do vinho agora brilha mais, tem mais sabor,
E você já passou até da fase do calor,
Experiência, cultura, tudo ainda é forte,
Conhecemos tudo, do sul ao norte,
Podemos agora a todos ensinar,
Porque o ciclo da vida não pode parar,
Mas eles chegam rápidos, serzinhos em forma de fetos,
E logo a casa se enche deles, são os netos,
E começa tudo novamente, gritaria, aquele barulho,
Gente sai, gente entra - festa, presente, embrulho,
Queria parar o tempo, como numa fotografia,
Registrar aquelas vidas com a minha vida em harmonia,
Mas eu sei que o tempo vai passar,
Impiedoso - a vaidade e o brilho dos olhos, ele vai tudo levar,
E quando finalmente as duas janelas se fecharem e o rosto cair,
As malas estarão prontas para eu partir,
Feliz pela vida que viví e mais ainda porque nunca faltou a luz,
E ao transpor os umbrais da estreita porta, lá estará me esperando de braços abertos, o SENHOR JESUS!
Paulo Eduardo Cardoso Pereira
Enviado por Paulo Eduardo Cardoso Pereira em 02/10/2006
Reeditado em 05/08/2012
Código do texto: T254568
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Paulo Eduardo Cardoso Pereira
Jacareí - São Paulo - Brasil
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Paulo Eduardo Cardoso Pereira