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A Hora

É o coagulo.
É Calígula.
É o aneurisma.
Será que a vida é a morte sob outro prisma?

O tempo se esvai.
A hora urge.
A besta-fera ruge.
A vida se desprende e cai.

O cigarro que mata,
o uísque que se esquece.
Aonde aperto o botão?
Como é que se desce?

O creme que rejuvenesce,
o jardim que floresce,
o crente que faz uma prece,
o deus que lhe esquece,
a heróica ação que enobrece.

E o tumor que cresce.

Sim, tudo bem. Vê se aparece. 

O cobertor que aquece,
A morfina que me entorpece. 

Tudo gira.
É o rio, o frio.
Vamos, decepe!
Por que esperar?
Logo ali, a Moira já não tece.

É a tosse. O aperto.
A dor. É o que está feito.
Não há mais jeito.
Caminha-se para cumprir a hora.
Mas já é tarde, têm de ser agora.

O ouro que não mais existe Dora Doramundo.
O rio não existe.
Eu é que pensei que fosse mais profundo.

Fabio Renato Villela
Enviado por Fabio Renato Villela em 06/10/2006
Código do texto: T257540
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fabio Renato Villela
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
1758 textos (328686 leituras)
1 áudios (27 audições)
4 e-livros (4091 leituras)
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