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ALÇAPÃO

Sou artesão de gaiolas!

Deixei-me ser aprisionado
por instinto de liberdade.

O miolo do pão
embebido ao leite
guarda-me dentro de ti.

O mundo não voa com pressa
como a presa foge do carcará
abatida num só rasante
pelo zunido do vento
dentro do pensamento
como quem luta pra digerir
o predador consagrado
mastigando jiló
dentro de ti.

Sou artesão da liberdade!

Fui comedor de palha
requentei bucho e cocho
com minhocas do teu bico
de seios curtos dado à boca.

Sou artesão de filhos!

O mundo não cresceu engravidado;
primeiro, vieram pássaros,
depois, uma revoada de vento
e o ar prenho em ciscos
sangrando muriçocas
com tapas nas costas
do predador a gozar
dentro de ti.

Sou artesão de asas!

Guardei-as para o vôo da muda
do carcará cego que come em tuas mãos.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 18/06/2005
Código do texto: T25781
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho