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SERTÃO DE RAPADURAS

Tão longe,
no fim de Deus
onde a chuva vem do pó
de gente que não nasceu
para adoçar rapaduras.

é olhar seco de raiva
riso amarelo na cara
inchada por tanto doce
panela vazia no dente
doído pela extração
do doutor-cirurgião
doido para arrancar
onde mora sua mágoa
nascida para cortar
a cana de boca murcha.


As mulheres,
galhos ressecados
envelhecem lua após lua
cansadas de parir ódio
puseram bosta de boi
para o sangue não chorar.

é irmão cegando irmão
boi comendo carcará
um parabelo por filho
em vez lápis de apagar
a cartilha do pai sisudo
que não ri para mostrar
a camisa amarelada
a cova onde deita raso
o filho, ontem,  vingado
na encruzilhada da cruz.

Os filhos,
os que ainda restam,
ainda mordem os roletes
dentro dos canaviais
adoçando a pólvora
nas mãos criando balas.


rompe-se o luto jurado
do medo da tocaia
o amor é engrenagem
mola-mestra da história
que fez a chuva alagar
o sertão com água do mar
tão longe, no fim de Deus
choveu pelo céu e pelo sol
até um menino chorar
sob o céu iluminado
abaixando a poeira.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 18/06/2005
Código do texto: T25787
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho