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SEXTA-FEIRA

hoje,
sexta-feira,
de uma semana qualquer,
é dia de ver-te nua!
na quinta,
a tua pele delicada cheirava a leite
no sábado,
a sobriedade do traje de gala
te vestiu para jantar.

hoje,
sexta-feira,
não sei bem de qual semana,
é dia de ver-te nua!
os pés
esticados até as canelas
sobre as molas da cadeira do papai
formigou até passar
a preguiça
adormecida pelo corpo
sem mais a crônica dor lombar
das manhãs de sextas-feiras.

hoje,
sexta-feira,
o vermelho marca folhinha:
é dia de ver-te nua!
na pressa,
esqueci de tampar o perfume
cortar o cabelo, fazer a barba
na calma
escanhoada dos dedos estalados
na seda das roupas de baixo.

hoje,
sexta-feira,
há prova do corpo no traje:
é dia de ver-te nua!
anoitece
a mancha do beijo, a boca de manga
nos caroços nus dos seios
despertos
blusa afora, pontiagudos, gripados
respirando qual caracóis.


hoje
sexta-feira,
não sei mais em qual semana,
é dia de ver-te nua!
com fome
a geladeira nos chama
para a sobremesa, alfazema
perfumada
nos ladrilhos dos olhos enxutos
acarinhados por dois cotonetes.


hoje,
sexta-feira,
é dia de abortar os sábados;
assim sendo,
ver-te-ei nua sempre:
segunda, terça, quarta,
feriados, fins-de-semana...
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 18/06/2005
Código do texto: T25792
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho