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Ilha

Quando, é chegada, a noite nem mais consola,
Antes de lua, de fogo em palha, de vela...
Tomada de assalto, por medo, estampado na tela,
Agora estampido de ódio, de morte, de esmola.

Quando a madrugada, adentra, por sobre oceanos,
Vai a terra, guardada do resto, tal ilha...
Sem alma, sem ar, mergulhada de desenganos,
E ouvidos que se fazem surdos ao uivar da matilha.

Descaso é comparar as batidas, audíveis no peito,
Àquelas de dentes, rangendo, na boca, de frio,
Acaso é esperar, ou supor sem pensar no efeito,
De negar esperança a um coração que já vai vazio.

Engulo, com nó na garganta, a saliva da fome,
Chorando, de sede, lágrimas desidratadas,
Nas letras, aleatórias, vez cegas, vez afiadas,
Guardando-me, alcunha, de quem morre sem nome.

Extinta a forca, eis que surge, a sentença da míngua,
Nas gotas escassas da piedade, desumana...
Na leviandade, que ora, emana da língua,
Da vida, egoísta, nazista, purista e quotidiana.

Há de haver calor, mas há de vir de dentro,
Como a claridade...
Tal a cura...
Na saída.

Há de haver clamor, por sobre o epicentro,
De verdade...
Em fartura...
Sem ferida.
Gustavo Schramm
Enviado por Gustavo Schramm em 12/10/2006
Reeditado em 05/02/2007
Código do texto: T262365

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Sobre o autor
Gustavo Schramm
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 36 anos
88 textos (4350 leituras)
7 áudios (676 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 12:12)
Gustavo Schramm