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Sem palavras

 
  No primeiro dia o TODO era silêncio e não houve
  comunicação,
  a mãe não chamou ao filho pela manhã,
  o padeiro não anunciou o pão,
  a rádio calou-se.
  Pois, falar não havia como...

  Os trabalhadores "aceitaram" seus magros proventos...
  O mercado não reclamava preços abusivos,
  feiras silenciosas, dia silencioso...
  Pois, falar não havia como...

  Os namorados,em silêncio total, olhavam a lua prateada...
  O padre não disse a missa...
  O pastor não realizou o culto...
  O jesuíta não pronunciou sua oração...
  Pois, falar não havia como...

  Naquele dia o marasmo foi total,
  algo havia de ser inventado e ninguém sabia inventar...
  Pois, falar não havia como...
  Esse dia foi de monotonia, pois não conheciam as
  palavras.

                   Para Raul Santos Seixas (28/06/1945 a 21/08/1989)...
               
 
                 

Augusto de Sênior
Enviado por Augusto de Sênior em 14/10/2006
Reeditado em 21/07/2012
Código do texto: T264056
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Augusto de Sênior
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 50 anos
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Augusto de Sênior