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Vais-me desculpar, poeta!
Mas hoje vou despir a farpela que sempre usei
E fingir que finjo
O que sempre representei.
Hoje vou olhar para o próximo
Com o cinismo que se disfarça de verdade
E distribuir apertos de mão solidamente encenados.
Exporei na oficina das imposturas
As Mona Lisas desbotadas que fui improvisando
Realçando-lhes os sorrisos enigmáticos
Para ser mais misterioso
O embuste que quero discricionário.
Representarei como um Zadig torpe
As sátiras de como vai o mundo
Afastando os Rousseaus
Que se atravessarem no meu caminho,
Quais salteadores deportados,
Exilados na devastação dos bosques vandalizados,
Apregoando uma filosofia insana
De par com a obscenidade
Da nossa paradigmática cultura ocidental.

Vais-me desculpar, poeta!
Mas por momentos ocorreu-me caricaturar a anti-poesia.



Moisés Salgado
alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 15/10/2006
Código do texto: T265182

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