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Poesia de ventre e sol

Tudo em mim brota
Terra fértil
Frutifico
Multiplico-me
Semente que se abre
Uma parte sobe
Outra sob
Ventre
Qualquer garoa
Vira chuva
Enxurrada. Lava.
Leva-me pro mar
E me exaure
Abre. Expõe. Tritura. Esgota

Eu sou assim:
Fácil de navegar
Casca de nós na correnteza
Leveza de cortiça
Só não tenho porto certo
Chegada
Sou solto
Ninguém me põe ferros
Âncora
Eu sou meu freio
Arreio
Sei o que importa
O preciso
Navego em mim solitário
 
Por fora tenho dono
Quem me dome
E consuma
Quem reconhece-me como seu
Por dentro sou cavalo solto
Louco na pradaria
Sem face
Multidão
Tenho para a platéia
Riso de todos os dentes
Por dentro só o risco
Faca cega
Fio de navalha
Caminho estreito
Uivo solitário

Por fora tenho sono
Obrigação
Salário
Concreto e o certo
Escorreito
Por dentro sou raio
Tempestade
Abstrato
Impreciso
No caos habito e me deito
Bebo fuligem da cidade ébria
Regozijo
Regurgito tudo
Matéria prima. Rima. Loa. Poeresia.
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 16/10/2006
Código do texto: T265779

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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