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Agora

 
A luz das utopias apagou-se.
Não brilham mais estrelas mensageiras.
Agora, quem nos diz que o mel é doce?
Agora, quem nos diz que há pão nas eiras?
 
Morreram de desgosto as primaveras.
Emudeceram já os passarinhos.
Agora, só abutres, fome e feras
assombram os silêncios dos caminhos.
 
 
Difusas, na penumbra da lembrança,
sortílegas visões de calendário
irrompem, como uma sonho de criança,
dourando ainda o nosso imaginário.
 
No templo, pavoneiam-se os cambistas.
Na praça, deambulam os autistas.
 


1 e dezembro de 2003.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal
José Augusto de Carvalho
Enviado por José Augusto de Carvalho em 22/06/2005
Código do texto: T26772
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
José Augusto de Carvalho
Portugal, 79 anos
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José Augusto de Carvalho