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O PORTÃO

eu menino atrás de um portão apodrecido
brincava entre cristais de vaga-lumes
anda-andando no cinza eterno de um entardecer poente

fragrância de cenoura arrancada à terra
ferida pelo rastelo no pentear das folhas
no assobio do vento triste de quase outonos europeus
fascinava-me o colorido mágico das pipas a driblar nuvens
nas mãos dos meninos que eu não podia ser
a rua proibida

depois o primeiro dia na escola
lancheira com cheiro de maçã e pão pullmann
bolsos cheios de açúcar
que as balas alabardas iam melando
e eu chupava pensando serem
lágrimas verdes de altos pinheiros
que havia nos quintais das vendas

onde foi esse menino que fui?
atrás de um portão apodrecido
minha infância empalhada
perdeu-se para sempre de mim
José Antonio Martino
Enviado por José Antonio Martino em 19/10/2006
Código do texto: T268070
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Sobre o autor
José Antonio Martino
Atibaia - São Paulo - Brasil, 48 anos
46 textos (2946 leituras)
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José Antonio Martino