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O poema não me engana

O meu poema não me engana quando chega manso
       querendo ser brando/ ser samba
       ser rock
       ciranda de roda
       desanda

O meu poema não é desfile de moda
       é nódoa no brim branco/ destoa
       desanca/ desacata/ se rebela/ desata
       é sangria/ mênstruo
       soturno
       dá nó na palavra
       lavra sincera
       mas pode ficar chato se diletante
       dando volta em torno de si
       como agora
       fora!

O meu poema se esvai e volta/ não se esgota
       não se retém
       não se detém
       vai fundo/ até a última gota
       mas brota
       revigora-se na primeira chuva
       sobe
       Ele grita/ fura o asfalto/ sapateia/ faz carnaval

Poema meu que se preza tem peso/ mas não afunda
       inunda/ chove torrencialmente
       se infiltra
       milita mas não se limita
       rima mas não se alinha fácil
       desfia/ desafia/ desafina
       desatino puro
       grita e esperneia/ não se engana
       ele trama/ quebra tudo
       depois se reconstrói
       letra por letra (torta)
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 20/10/2006
Código do texto: T269124

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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