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       AS  MÃOS 


          “Mãos de humanos são plenas 
          De terminações sensitivas 
          E de capazes movimentos finos, 
          Como se todos fossem femininos.”
 


Mãos, por inteiras que se conservem,
São por onde se expõem as ações.

Reflexas ou premeditadas,
Na grande maioria delas.
Ações de precisos modos,
E de imprecisas gesticulações,

Mãos que se fazem diferentes:
Umas frias, outras quentes,

Firmes ou trêmulas,
Precisas e decididas,
Ou erradias indecisas,
Mãos são mãos...

Mãos são o momento,
Mãos são seu próprio movimento,

A mão mantém uma direção,
Ou reproduz a intenção do gesto
Quando comandada pela intuição,
Ou representa a lógica automática.

Mãos de carinhos em ebulição,
Ou de frieza matemática,
São mãos que ou acertam ou erram.

Mãos inteligentes,
Que roubam a cena, 

Mãos bobas, com problemas
De identidade,
Com vontade
De serem mãos de verdade, 

Mãos que acalentarão, amarão,
Entender-se-ão 
À necessidade de outras mãos. 

Compreenderão e perdoarão.

Mãos que sobreviverão.

Mãos que carregam a necessidade
De agir com perfeição,
Mãos de cirurgião;

Mãos de calosidades e asperezas,
Força sem beleza, rudeza.
Mãos de peão,

Mãos que atuam com satisfação,
Que trarão emoção,
Interpretação.
Mãos que servirão de lição.

Mãos de situação...

Mãos que se sujam no trabalho,
Mãos que se limpam, 
Mãos que se atrapalham
E que se enterram no baralho,

Mãos que quebram e que consertam,
Que mudam ou que conservam.

Mãos que dormem, que suportam,
Mãos espertas, despertas,
Mãos benditas e divinas,
Mãos históricas, certas e limpas,
Mãos velhas e mãos meninas.

A verdade das mãos
É a mesma do amor,
A verdade de estendê-las
Na direção dos irmãos,

E não carregar nelas
A intenção de receber
Sem que se vá repartir.
Mãos que negam
O seu próprio ego.

Mãos que recolham problemas
E que distribuam soluções.

Mãos isentas, que não buscam
Retribuição. Mãos gratas
Pela emoção de uma ação
Simples e pura,

Mãos sem requintes,
Mãos que suportam
A própria estrutura.

Mãos que se comportam
E não se importam
Com limitações,

Mãos artistas,
Mãos dos gestos das cantoras,
Mãos sonoras dos músicos,

Mãos dos pintores,
Executores das cores
Que farão favores à visão.

Mãos de escritores, mãos tão simples
Que tudo que as completa,
É algum papel e uma caneta,

Que desenham, 
Com traços determinados,
Arabescos a serem interpretados.
 


                  
José Carlos De Gonzalez
Enviado por José Carlos De Gonzalez em 21/10/2006
Reeditado em 18/09/2008
Código do texto: T269698
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
José Carlos De Gonzalez
Itu - São Paulo - Brasil, 66 anos
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José Carlos De Gonzalez