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TEUS OLHOS

Que têm esses olhos que brincam, que cantam,
Que brilham e encantam meu entardecer?
Uns olhos tão leves, tão longos, tão lindos,
Loquazes revelam desejos infindos
Da alma de um anjo – que um anjo há de ser.

Que têm esses olhos que contam histórias, que fazem poesia,
Que escondem mistérios com tal nostalgia,
E embalam os sonhos do meu coração?
Uns olhos tão calmos, tão castos, tão quedos,
Calados abrigam tantos segredos,
Calados abrigam tanta paixão.

Quisera dos mares os verdes pungentes,
Dos céus tropicais veludoso anil;
Mas tens o negrume das noites mais quentes,
Mas tens o perfume das matas, das gentes,
Dos campos silvestres do egrégio Brasil.

Às vezes distantes, qual vasto horizonte,
Teus olhos se perdem em ledo cismar.
Lembram-me as águas da cálida fonte,
Lembra-me o rego que serpeia ao mar.
Uns olhos que falam de doce amargura,
Que deixam conosco tanta ternura,
Que trazem consigo a razão do luar.

Eu quero esses olhos que riem do fado,
Que os deuses talharam com tanto cuidado
Num raro momento de inspiração.
Eu quero esses olhos que insinuam amores,
Que voam alegres feito beija-flores
Nos versos quebrados da minha canção.

Se por esses olhos eu mato, eu morro,
Se por esses olhos ao Hades eu corro,
Perdendo para sempre as venturas dos céus,
Desço aos infernos de alma exultante,
Pois deu-me a vida um eterno instante
Em que vi os teus olhos brilhando nos meus.
José Antonio Martino
Enviado por José Antonio Martino em 21/10/2006
Código do texto: T270051
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Sobre o autor
José Antonio Martino
Atibaia - São Paulo - Brasil, 48 anos
46 textos (2946 leituras)
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José Antonio Martino