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Poeta até o fim

Quando nos movemos no abstrato,
somos os mestres dos mestres,
e caminhamos com tal segurança,
como peixes no oceano ou pássaros no céu...
(nenhum semáforo impede
o fluir de nosso trânsito entre os planetas...)
Mas basta pisar na terra,
e já somos esses desconhecidos seres
atrapalhados com o peso da bagagem.
Qualquer ruído interfere na sintonia:
nos meus olhos não mais reconheces
aquele brilho de prata que te fez poeta,
e, no oriente de teus olhos não desponta mais,
o fulgor dourado de minhas certezas.
Basta descer do Céu ou emergir das águas
e nosso poema faz-se medo...
e nossa crença faz-se dúvidas...

Porque,se na terra permanecer acorrentado,
não pode o sonho voar livre como um pássaro
ou meditar, como se imerso repousasse,
no silêncio profundo das águas..
e quanto mais belo e simples for este sonho,
mais cedo apedrejado será, e engolido
pela entropia, que a tudo nivela.
Mas, contradição das contradições,
é a transfiguração deste mesmo sonho,
aqui, onde a resistência o sufoca,
onde o peso achata, estreita e oprime..
o nosso desafio de ferro e fogo:
ou fazemos do poema um simples jogo de palavras,
puro diletantismo, descartável,
ou vivemos o verso e o reverso,
entregando-nos de de corpo e alma à poesia,
e nos tornamos poetas, integralmente,
e até o fim....

(escrito em 2004)




Mareluz
Enviado por Mareluz em 21/10/2006
Reeditado em 22/10/2006
Código do texto: T270224
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Sobre a autora
Mareluz
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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