Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

REMINESCÊNCIAS

De tudo quanto o tempo cessa:
O labor da clorofila nas folhas
Ressequidas de uma violeteira
Esquecida no parapeito da janela

De tudo quanto o tempo apaga:
Sob o signo do fogo a vela
Que rompia a escuridão da sala
O sol, que amarrado à crista do dia
Se consumia, para em seu turno
Ver surgir a noite acompanhada
Por estrelas cristalizadas na
Geometria infinita do espaço

De tudo quanto o tempo constrói:
A cidade em perspectivas verticais
Entre o intervalo de prédios avistava-se
Uma nuvem contra a qual se chocava
O vôo solitário de um pássaro negro

De tudo quanto o tempo cala:
Na mão fechada um gesto contido de adeus
A palavra sepultada na comissura dos lábios
Um verso ermo de sentidos
Calcificado na solidão dos ventos


* * *

Goiânia, 22 de outubro de 2006
Glauber Ramos
Enviado por Glauber Ramos em 22/10/2006
Reeditado em 22/10/2006
Código do texto: T270974
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Glauber Ramos
Goiânia - Goiás - Brasil, 34 anos
97 textos (2676 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 22:11)
Glauber Ramos