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Poema 0352 - Nossas idades


 
6 anos
Vamos brincar uma tarde destas, ir no balanço,
sentar no banquinho da praça,
ver a lua, perguntar se é feita de queijo,
quero ouvir você dizer: "Deixa de ser bobo, menino!"
 
10 anos
Vamos fazer desenhos na sombra da lanterna,
enrolar meus dedos nos seus,
como se faz aquele desenho de coelho, lembra-se?
Passe os braços por debaixo dos meus, ensino a você.
 
12 anos
Prometo não rir da sua maria-chiquinha,
não passar o dedo molhado de cuspe na sua bochecha,
perguntar se um dia beijou, vou sim,
ver sua carinha envergonhada, dizendo: "Eca!"... e apertar os lábios.
 
16 anos
Que tal segurar minha mão quando atravessamos a rua?
Vamos nos aventurar na sessão das 10,
ver um filme proibido, nem que seja só o cartaz,
juro que não encosto, só um pouco... se deixar...
 
17 anos
Podemos ir por qualquer caminho que sua mãe não deixar,
se quiser carrego seus cadernos, dividimos o chiclete,
deixe-me ir até o portão, prometo soltar sua mão antes de chegar...
se distrair um pouco, sabe que vou e roubo um beijinho.
 
18 anos
Que bom que passou no vestibular, ruim que vai mudar,
liga-me dizendo como está, direi que estou com saudades,
preciso ouvir sua voz, mesmo por telefone, faz falta,
tenta não me esquecer, morro de vontade dos beijos que roubei.
 
22 anos
Parabéns pelo diploma, nos perdemos por um tempo,
por não prometermos nada me fez querer você,
hoje voltamos a mesma casa, ao mesmo portão,
vamos ser crianças uma tarde destas, vou dizer que a amo.

26/06/2005
Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 24/06/2005
Código do texto: T27324
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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