Brasil de Barro
Flagelo imenso, intensa dor, grande desdita
que rasga o peito e a voz da alma até entala,
chorando os seus, mas, com uma força inaudita
pouco a pouco, a si e a tantos inda acalma.
Vencendo a lama, as pedras e a enxurrada
que varrem casas, animais e até crianças
voltando ao pó, embora, em forma de barro
não se desgarra da fé, da vida e da esperança.
Os seus parentes, amigos ou conhecidos,
já entre tantos mortos identificados
não freiam a força em cuidar dos esquecidos,
dos sem ninguém, pelo Estado abandonados.
Parece até doer na alma, muito mais,
o constatar do eterno e cruel abandono
de quem devia evitar tão tristes ais
a um povo alegre, em meio a um sofrer tamanho.
Mas, logo, vamos esquecer no carnaval
o estrebuchar e a dor dos pobres excluídos,
sem atenção e sem leitos nos hospitais
e, aos foliões “a camisinha” garantida.
João Batista Gomes Maia
Enviado por João Batista Gomes Maia em 17/01/2011
Código do texto: T2735677
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