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A infeliz consciência.

Antes de acordar você já vestiu as meias,
ao abrir os olhos você já está barbeado.
Na televisão, só vê mortes ou asneiras,
e já está atrasado pro trabalho.
Lutar contra a disparidade social não há maneiras.
É assim que você pensa? Robô globalizado.

E se um pintassilgo lhe emocionar com seu gorjeio,
e se na sinaleira uma criança lhe pedir apenas carinho,
e se você lembrar de quando tinha fome, sua mãe lhe dava o seio,
e se imaginar o seu pai deitado naquele banco ali sozinho?
O pranto toma conta ao ver que o direito a vida é um sorteio,
e o sexo e o beijo anestesiam o seu caminho.

O poeta já escreveu que o mal só se faz soberano,
quando o bem está ausente.
Passa hora, dia, mês e ano,
e a indústria das almas assassinando entes.
E no carnaval você fica saltitando,
bebendo a felicidade em água ardente.

E no domingo você vê o disperdício da liberdade de expressão,
com danças de reto - intestinais sexy’s e úteros sensuais.
Mas para um trabalho de contestação social os manobristas dizem não,
querendo que você e a massa pensem coisas iguais.
Fingir ser feliz talvez seja ingratidão,
mas é a jeito que se tem para acreditar na paz.
Hermison Frazzon da Cunha
Enviado por Hermison Frazzon da Cunha em 24/06/2005
Reeditado em 31/05/2013
Código do texto: T27472
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Hermison Frazzon da Cunha
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
103 textos (27010 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 12:43)
Hermison Frazzon da Cunha