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Memórias

Quando um dia perdida no deserto,
enxerguei miragens, retive-as.
Não deixei que se desvanecessem,
mesmo quando emprestou-me a realidade
um gole refrescante da água
matando-me a imediata sede.
Foi meu salvador um peregrino
que revestiu-me com a incoerência
dos trajes mais negros do que a noite.
Assim, protegeu-me a pele
dos raios escaldantes...e prossegui...
Recordo-me também,nebulosamente,
das caravanas que antes passaram
pisando-me o corpo semi-morto,
dando-me como um caso perdido.
Lembro-me de tudo, da beleza
que ainda retive na memória,
daquelas dunas brilhantes;das noites
em que, no frio intenso, enregelante,
brilhavam estrelas, como ímãs...
e,especialmente, uma...a da Esperança.
Até hoje, não sei o que de fato me salvou.
Se foi o braço amigo arrancando-me do torpor,
se foi aquela abençoada água saciando
a definitiva sede, se foi o verso insistente
companheiro inseparável de estrada.
Ou, se tudo ao mesmo tempo confluiu,
unindo-me à Vida...para sempre...
mesmo que um dia, a morte dela me separe.

(escrito em 2004)





Mareluz
Enviado por Mareluz em 27/10/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T275364
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Sobre a autora
Mareluz
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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