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Sem identidade

Sem Identidade
(12/08/04)

Como seria este rosto
se as lembranças
não tivessem traçado
ruas de tristeza
e esquinas de saudades,
e se os olhos não retivessem
imagens de sonhos perdidos?
Como seriam os traços
deste rosto,se permanecesse apenas
a infantil emoção,
esta que brilha e se apaga
com medo de mostrar-se?

Sorriso de criança
sufocado na sensatez do mundo.
Anseio disfarçado
de reencontrar o atalho,
onde morava a despreocupação.
Ali mesmo... entre as árvores...
onde amanhecíamos bailando
sobre os pedregulhos
brilhantes de sol.

(Mas quem foi o sisudo proprietário
que construiu o muro
e fechou as portas?
Quem é o responsável
pelas chaves, bem guardadas,
e as esconde de minha criança?)

Inútil insistência esta de buscar
um sorriso perdido lá atrás,
vencido pelo urgência do jato
pela audácia da velocidade.
Tolice consumada esta
de tentar ouvir a tímida canção
de um riozinho perdido no mapa...

O passado, sempre o passado.
Nome infeliz para um rosto
sem números de identidade.
No entanto, ele ainda existe.
Em algum lugar, existe.
Alguém correndo descalço, sem pressa,
pisando na terra, na areia...
e sorrindo, sujo de felicidade...
Mareluz
Enviado por Mareluz em 28/10/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T275733
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Sobre a autora
Mareluz
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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