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Brâmane

                             Brâmane


 


Quero ir nas águas barrentas da enxurrada
Ser lenho arrastado pela corrente revoltada
Ir na fúria e tornar-me furioso
Responsável vilão das intempéries criminosas

Quero saltar os muros que me servem de espartilho
Ao mar ir pedir contas dos crimes de que me acusam
Saltar sobre as rochas arrastando-as comigo
Provar que sou rude mas de coração bondoso

Quero afogar-me no remoinho das culpas
Morrer com os pecados que de certo cometi
Renascer purificado na espuma das marés
Livre das excêntricas seduções que sempre me perderam

Quero voltar a amar com a convicção da adolescência
Sentar-me na margem e observar o passar das águas
A serenidade espelhada na brancura do meu rosto
E de mim e em mim, emanar e acolher, a generosidade do sol-posto.



Moisés Salgado
alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 28/10/2006
Código do texto: T275959

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