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Ode à minha máquina de lavar louça



 

 

Cantem os deuses nesta hora tão branca,

Desta “ex machina”  implacável,

Ai sucinta tragédia não seria,

Ver estas medusas, gorduras,

Dominarem o planeta, minha cozinha.

 

Qual titã providenciou esta bela invenção,

Prometeu por certo saiu do penhasco,

Matou esses abutres de Zeus, esse

Que pelo seus tamanhos pecados

também soltou

da pandora tamanhos micróbios.

Oh! Prometeu que nos destes

Esse também formidável “fogo” “Zanussi” e “AEG”,

Pudera também Cristo, que tanto te copiou,

Pudesse fazer essa parábola:

Limpeza e lavagem a 60º,

Reerguendo o morto do Sepulcro,

Eu,

Que não era mais que um súbdito

desse imundo Hades.

 

Ai Antígona, do meu corpo imundo,

Manda-me também uma máquina,

Para me banhar em autómato,

Mesmo que a lei de Creonte não o permita,

Está em jogo mais que Tróia,

 

Este mundo.

 

Constantino Mendes Alves
Enviado por Constantino Mendes Alves em 30/10/2006
Código do texto: T277881
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Sobre o autor
Constantino Mendes Alves
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