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PARECENÇAS

Povo que mora aqui nesse urbano ou mora lá no sertão
tem um grau de parecença que quase nem se percebe não
pois os daqui vivem amontoados feito jogos de montar
enquanto que os que moram lá são espalhados pelo ar...

Os daqui não caçam / de procurar não têem noção pra ter /
os de lá se disfarçam pra enganar o calango pra comer /
os daqui se misturam e logo viram a tal de multidão /
os de lá / só-só / longe se escuta o bate-bate coração...

Parecidos são que nem no espelho /
Parecidos são na diferença /
um lê pra saber o lido
e o outro pra ouvir a sentença...

Povo que aqui mora nesse aramado ou mora perto do ingá
tem um grau de parecença que quase se percebe de todo
pois os daqui vivem cercados pelo elétrico e o rosnar
enquanto os que moram no seco sentem saudade do lodo...

Os daqui se banham todos / a água rola feito um cão /
os de lá / se sentem dor / chora à seco a solidão /
Os daqui não guardam mágoas / essa é a lei do apunhalar /
os de lá selam palavra no risco da faca cega sem amolar...

Parecidos são mas só por dentro /
parecidos são quase na igualdade /
um vê pra saber se visto o outro
na mentira é visto também na verdade.






































































 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 31/10/2006
Reeditado em 01/11/2006
Código do texto: T278702

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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