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Dias difíceis

Não são dias fáceis.
Mais do que alvos, viramos caça a ser abatida.
Inventam necessidades, reduzem possibilidades
e deste descompasso logo vêm o esgotamento.

Burro! Não é esgotamento. É stress! Viu?!

Mas como, Lady, devo combater o dito cujo?
Easy ! Uma pílula aqui, uma antiqüíssima arte
marcial – que foi inventada ontem – ali e pronto:
it is relax. Oh! Off course.

But, time is Money. Fim do relaxamento que causa
gorduras, celulites, e fracassados. É preciso vender!
E para vender é preciso ultrapassar a natureza
a qualquer custo. Oh yes!

A natureza só nos dá o que é necessário.
É muito pouco ouviu? É preciso plus.
Progresso, limpar o terreno destas malditas árvores
que não deixam o sol bater na minha soja ou não
deixa o capim do meu gado crescer.
Corto-as aos milhares todos os anos. Estas pragas.
Eu sou “o rei do gado”! Eu sou “o rei da soja”!
Assassino milhões deles e delas por ano! Ah, ah, ah.

Ter progresso, vender e que se dane o resto!

O resto somos todos. Ou talvez só alguns.
Os heróis (sic) da resistência (sic) que se recusam a falar stress.
Recusa que se torna mais atrevida e insolente quando
se deve falar “stress” no “cell phone”. De última geração, naturalmente.
Com milhões e bilhões de “bits” (alguém sabe o que isto significa?).

Mas os homens e mulheres dos cell phones não devem nos preocupar.
São vencedores brilhantes!
Seus aparelhos são importantíssimos.
Nos presídios, então, indispensáveis.

Eu, aprendiz de poeta, sinto pena mesmo é daqueles
que passam tanto stress para descobrir um nome em inglês
para uma prosaica escova de dentes!
Imagine, seleta audiência: o indivíduo levou anos estudando.
Talvez até com certo sacrifício e no fim o que ele faz, dia após dia?
Inventa nomes estrangeiros para escovas de dentes!
Será que ele ou ela sabem que isto não é um trabalho de verdade?

Outros dão nomes ingleses para cremes, escovas e artefato
de assar churrasquinho de gato!

Pseudo poeta burro: aquilo chama grill !

Sorry.

Será um efeito da Globalização ou só da imbecilidade?
Tanto faz. Tudo é o mesmo.

E, no entanto, seria interessante sondar estes indivíduos.
O que se passa em seu interior?
Haverá este interior?

Não sei! Não tenho tempo!
Tenho que vender, ops, tenho que prospectar negócios.

E assim é.
É esse o Mundo que devastamos.
O Mundo que se diverte nos Rodeios
e que urra mais que o animal que está sendo torturado.
É o Mundo e é preciso relaxar, ops, relax baby.

E caso não se consiga, sempre haverá o consolo,
no sentido casto, dos ansiolíticos e dos anti-depressivos.
É proibido ficar triste. Triste não compra.

Também não se fica mais triste, velho burro!
Fica-se deprimido. Ou melhor em Estado, ops, in level de depressão.
Principalmente quando aquelas malditas rugas nas mãos ou no pescoço
sobrevivem à plástica caríssima, amiga . . . Um horror!
Será que estou envelhecendo?

Está sim! Todos estamos. Começamos quando nascemos.
Morreremos sim.
A Eternidade não nos foi dada.
Mesmo que “cientistas” congelem corpos
e mentes. É o Mundo, brother . . . 

Mas como de poeta e louco todos temos um pouco, 
e para dar fim às estas mal traçadas linhas,
eu troco uma parte de minha loucura, 
já que a poesia não é tanta assim,
para ser um  laureado cientista. 
Assim, com esta autoridade, decreto:
mudamos de Era! Já não somos HOMO SAPIENS,
agora somos Homo Bobo!

Tempos modernos, Charles . . .
não há rima, nem solução, Carlos . . . 


Fabio Renato Villela
Enviado por Fabio Renato Villela em 06/11/2006
Reeditado em 06/11/2006
Código do texto: T283851
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fabio Renato Villela
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
1758 textos (329403 leituras)
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4 e-livros (4093 leituras)
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Fabio Renato Villela

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