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TER E TER TANTO ATÉ PERDER

Tive tantas namoradas /
Quase como tem enxadas /
O homem que carpe o mato...

Tive tantas poesias /
Quase como nascem dias /
Da noite no negro prato...

Tive tantos anéis caros /
Quase polvo / desses raros /
Lá se foram os meus dedos...

Tive a exata sensação /
Quase perco o coração /
No desfiar do novelo...

Tive a culpa de cada sábio /
Quase um réles alfarrábio /
Que guarda velhos ditados...

Tive a mancha da chaminé /
Quase troco a mão pelo pé /
Em ofícios quase errados...

Tive tudo e mais pouco /
Quase razão por estar louco /
Em crer sem ver / nem ter...

Tive a horda da algazarra /
Quase fatal cimitarra /
Do pescoço a me perder...

Tive a honra da consciência /
Quase a impor-me por vigência /
O mais simples a buscar...

Tive ao lado voz segura /
Quase mapa em rota escura /
No perder-me me achar...

Tive o belo no que é feio /
Quase borda do que é meio /
Para pôr-me em alma alta...

Tive o zêlo no descaso /
Quase como vir com prazo /
Lá no grito achar a calma...

Tive para ter o perder /
Quase tudo para me ser /
Como canta a melodia...

Tive os olhos bem abertos /
Quase para ter / decerto /
A vida que esculpe e fia.
















Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 08/11/2006
Reeditado em 14/11/2006
Código do texto: T285869

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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