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Sem Amarras

                            Sem Amarras






Outros passos soassem na madrugada
Que não os meus
Uma madrugada caustica
Congénita de solidão
Mais invernosa que os chamamentos da luxúria
Encenados com desdém
Moeda de troca de um carinho comprado
A um corpo sem rosto
Que como eu
Não é de ninguém.

Meus são os lotes de velharias leiloados
Que à luz da mortiça escuridão
Dilaceram a noite da minha remissão
Sinto-me punhal de mim mesmo
Golpeando-me e surripiando-me às escondidas
                                                  gotas de sangue
Qual oportunista ganancioso
Ávido dos meus suspiros profundos
Arrematados na falência da minha intimidade.

Fosse a alvorada um toque a rebate para a glória
Em vez de um despertar para o esquecimento
E que a alba matizada de oiros cativantes
Fosse um convite ao esvoaçar gracioso das mariposas
Numa contagiante alegoria dos perfumes
Servindo de tónico para os actores
representarem a peça censurada
No palco paramilitarmente ocupado

Fosse sempre a voz
Não o grito de… mas a própria independência
Uma independência sem referências duvidosas
Genuína e respeitada
Ingénua e sem desvios
Gerada na mansidão
Da remota natividade
Do meu conceito da liberdade.

                   


Moisés Salgado
alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 09/11/2006
Código do texto: T286627

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