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FÁBRICA DE SONHOS

Os sonhos que eu sonhava / sem papel de parede /
Tinha monstros / tinha fadas / tinha peixes / tinha sede /
De voar sobre os dias e suas noites iluminadas /
Flutuar sobre as ruas sem bater invisíveis asas /
Ver os reis que já se foram / todos secos / todos nus /
Os montantes acumulados / as fortunas / os urubús /
Bandidos nos corredores assombrando transeuntes /
Não há saltador de faca que gente em volta não se ajunte /
O homem pedindo empréstimo à um banco de esquina /
Que lhe aposenta os sonhos com a velhice da propina /
Os sonhos que sonho agora / sem a fumaça do passado /
Tem o alvo como peito para o atirador de dardos /
No breu à borda agarrado escurecendo a favela /
Voa a bala ensandecida entrando pela janela /
Se Deus tivesse um diário com cada vida traçada /
Veria que a pequena Ana não deveria ser alçada /
À condição de um anjo por deselegância da guerra /
Da guangue das Tripas do Mal que o 666 berra /
Os fios de luz que se movem como centelhas no chão /
São homens-pedra usados por pura decoração /
A faca que corta a água como diamante no vidro /
Apenas é o iate do ócio com seu primogênito filho /
Os sonhos que vou sonhar espero que sejam belos /
A Terra ver pelo Cosmos de bermuda e chinelos.


Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 09/11/2006
Reeditado em 09/11/2006
Código do texto: T286798

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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