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Terra Devastada

A terra exausta e infecunda

Caminha para a morte inteira e rápida

Pois os filhos pecadores põem termo cólera

Estripando prados e montanhas a ferro e fogo

Em insana demanda tresloucada

O berço onde túmidas águas rolavam

E se agitavam exuberantes matas verdes

Hoje são gritos que reboam entre a fuligem,

Dos carcarás pescando lebres sapecadas

Para ir fazer o seu banquete tão sinistro

Lá no cimo da galhada estorricada

Arvores levantam os braços retorcidos

Através do fumo denso das queimadas

Gritos, silvos, guinchos, algazarra: clamor
uníssono,

Arrastam-se com o ventre sobre a borralha

Procurando ardentemente alguma brecha

Que os livre o quando antes da fornalha,

E corre, corre, a bicharada vai circulando

Até se verem pelo fogo circulados

Velho Riacho se arrasta manquejante

Pois há tempos já perdera a bengala

Rasparam-lhe os cílios e a barba

Sulcaram ímpiamente o seu costado,

E a última pindaíba que sobrou,

De tão corcunda, descascada e apodrecida...

Não serve para representar sua mortalha

Então à Terra exaurida e devastada

Nada mais resta que lamentar o seu fracasso.
José Mattos
Enviado por José Mattos em 29/06/2005
Código do texto: T29009

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Sobre o autor
José Mattos
Santa Rita do Pardo - Mato Grosso do Sul - Brasil, 52 anos
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1 e-livros (48 leituras)
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José Mattos