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Fumegante

Ardia em chamas vermelhas o cerrado!
morriam as formigas, o anú e o veado...
as arvores retorcidas próximas a Luiz Gama
eram vítimas do terrível acidente...muitas chamas...

O vizinho da estação, seu Dadico e sua esposa
estavam correndo, tentando salvar a bicharada...
Vi um bezerro pequeno, no braço do pobre homem
a mulher tentava socorrer as patas, os ovos e os
patinhos...

Alguns animais já pereciam, será incêndio espontâneo?
será criminoso, violento ou maldoso?! Agora não importa
não...
mandem fechar a linha, não deixem o trem chegar!
vem com muito combustivel, podem até estourar...

Em meio a fumaça e cercados de chamas, arvores fumegantes
plantas esturricadas e milhares de folhas flamejantes...
corriamos com baldes para o fogo apagar: esforço inútil
o vento era forte e alimentava a chama e labarêda,
morriam aves, arvores, insétos e até o bicho de sêda...

Era mais uma vez, a época da famosa queimada
todos sabiam que viria, ninguém nunca sabe quem ateava...
os anos passam e tudo se repete, muito do verde esta acabado...
é a triste sina da Amazônia, do Pantanal e do cerrado...

Pelo menos a solidariedade, entre o peão
o manobrador de trem e o agente de estação...
mostrava que nem tudo estava acabado, nem tudo é ilusão,
ficava para mim o sonho,  e a esperança da  razão...

Humana......


Manoel Vitorio
Enviado por Manoel Vitorio em 13/11/2006
Código do texto: T290593
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Sobre o autor
Manoel Vitorio
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 59 anos
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Manoel Vitorio