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PORNOGRAFIA

Vende-se uma vida.
O cachê é alto, 
mas vale a pena!
Ela faz tudo o que o patrão quiser:
tira a roupa,
deita na cama,
abre as pernas
feito uma caranguejeira,
engole todos os tamanhos e formas
e grita de prazer
para a alegria da masculinidade
do patrão.
Se quiser, ela coloca coisas
no orifício oculto do patrão
e não conta pra ninguém.

Vende-se uma vida.
E sua boca serve para sugar,
sua vagina é uma flor em chamas,
seus peitos são bica para todas as sedes,
seu ânus é o anel,
fetiche do patrão.
Ela é isso, no pensar do patrão:
uma boceta 
que guarda esperma de muitos,
um corpo a serviço do vício
e do pecado.
Ela tem um relógio,
ela tem um quarto,
mas atende em domicílio.
Ela aceita os presentes
que o patrão lhe dá,
e escuta com atenção
as ébrias declarações de amor
do apaixonado patrão.
Ela tem batom,
tem canivete 
para furar bucho de vagabundo
ou de viado que vem roubar o ponto.
Ela conhece muita gente graúda,
conhece até demais.
Ela tem amigas,
que também estão à venda.
Elas também aceitam convites
e vão a festas de embalo
e abrem braços e pernas
para os amigos do patrão
e sugam e bebem e comem
e são comidas
dos amigos do patrão.
Vidas vendidas,
alegres compradores.

Vende-se uma vida.
Mas, quando o tempo comer
sua carne por dentro,
o cachê vai diminuir.
Quando o rosto secar,
os peitos cairem,
a pele, os olhos, o sorriso,
tudo perder o viço,
o cachê vai diminuir.
E o patrão vai escarrar
no prato em que comeu.
E aquela solidão
que sempre se insinua
quando ela fica nua
ao amanhecer,
há de se instalar de vez.

E a vida que ora se vende
há de pedir a Deus um perdão
que não pode dar a si mesmo.
E há de calar a sua história.
Ao abrir a sua bolsa,
nenhuma moeda encontrará.
Ao abrir o armário,
cadê os presentes?
E o amor,
em que mentira se escondeu?
Vai ser tarde demais.
Já é tarde demais?
Existe redenção
a quem cobra altos cachês
ou uns trocados?
 
Vende-se uma vida
e o preço é alto demais.
Francisco C
Enviado por Francisco C em 14/11/2006
Código do texto: T291372

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Sobre o autor
Francisco C
Porto Velho - Rondônia - Brasil, 48 anos
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Francisco C