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Delírios



  Delírios


Deuses-astronautas desceram à terra,
plantaram a pirâmide da vida.
À cada degrau a consciência eterna.
Gigantes alados e formosas mulheres
caem das árvores do bem e do mal.
Em rictus de prazer constroem,
sob o comando de Caim,
luminosas cidades,
entre rios onde se banhavam
e alimentavam de leite e mel.
Erigiam enormes observatórios
e campos para naves extraterrenas.
Grande babel!
Sábios e poliglotas entendiam o universo.

Um deus qualquer, vagabundo,
invejoso, destruidor, iracundo,
lançou-os num inferno
de competições, moral e pudores,
contaminando-os com um vírus
de sentimento de culpa
por qualquer pequeno prazer.
Condenou-os à loucura, destruição cotidiana,
guerras internas-eternas, antropofágicas.
A pisar e destruir, intensamente, sem  igual.

Esse vírus consciente-vivente,
passando de geração à geração,
lançou-nos num lago de fogo e enxofre.
A morte me envolve em seu manto.
Três luas cheias foram suficientes,
de volta a estaca central, empalado.
O tempo cada vez mais limitado,
duas luas novas e não suporto o compromisso.
Sinto falta da musicalidade,
que minhas antenas não captam mais,
meu espírito deixou de produzir.

Zion Freire
Zion Freire
Enviado por Zion Freire em 14/11/2006
Código do texto: T291485
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Sobre o autor
Zion Freire
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 66 anos
65 textos (2561 leituras)
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Zion Freire