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DIANTE DOS OLHOS



Um olhar fixo de nuvem cheia de rios
A tela tinge-se de brancas fumaças
Teu olhar caindo aos pedaços sobre o azul do horizonte...

A mancha na pele é só pincelada de fúria vermelha
O teu riso está em amarelo e sem som e sem sentido
Teu olhar suspenso como jibóia na rede do pescador feliz...

Não negue a história em teus pés cheios de areia
Não negue o tempo em tua ampulheta cheia de pérolas
Não negue as lembranças em tua cabeça cheia de marés...

Um cão deitado ao pé da montanha suspirando fonemas
O gesto que escapa de sua mão alcança o navio de gergelim
Teu olhar oco de açucar pede água pura e solvente marítimo...

Um pão desesperado grita por seus costumes
A carcaça de um trem geme seus ferros amorosos
Teu olhar mole desvia parafusos e caem horas amolecidas...

Não negue riachos de paina em tua recente floresta
Não negue moinhos faiscantes em tua saleta de jantar
Não negue dedos que nascem em mãos que nascem em teus braços...

Diante dos teus olhos tudo o que está escrito não é para ser lido.





Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 23/11/2006
Código do texto: T299166

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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