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Despojos

Deixo a vida como quem despe uma roupa surrada
Sem remorso...sem receio...
Jogada num canto...desbotada e suada...
Não há mais costuras a fazer...
Nem mãos sensíveis para o cerzimento
O escárnio brinda a nudez
Opera-se então o novo nascimento
Queimo então as poesias e lembranças
 
Na mortalha carrego a doce criança
Que sempre habitou meu coração
Mato enfim a cruel ingenuidade
A insanidade das horas secas
O meu recreio de ilusão
 
Dispo-me da vida sem saudade
Levantando o mastro embandeirado
Do branco mais alvo que as nuvens
Reguem meu pranto nos canteiros
Onde as flores que plantei se esparramaram
Mas queimem as lembranças
Todo o material derramado
O fogo só não consome a vida
Que está embutida nas lavras
Não há labaredas para consumir
O meu mar de palavras
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 01/07/2005
Código do texto: T30033

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
1054 textos (55638 leituras)
25 áudios (3274 audições)
1 e-livros (247 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 20:40)
Angélica Teresa Almstadter