Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

DA ARQUIBANCADA



Da arquibancada é que se vê
A mão se enfiando no bolso do colete
Tirando mais um truque
Quem sabe um soquete
Para iluminar as falcatruas do sábio do planalto...

Da arquibancada é que se vê
A mão que vende a mão que compra
A mão de veludo a mão de sombra
E nem de passaporte é preciso
Quando se atravessa
Os restos do juízo...

Da arquibancada é que se vê
O gado magro e gordo atravessando o lodo
A massa crua e escura
sendo tratada nas geladeiras dos laboratórios
O cientista de suspensório
Analisa e comenta
Que o que não cresce
Não tem perigo
Não aumenta...

Da arquibancada é que se vê
A festa que ainda se pode ter
Ao se despertar do sono
O índio e gnomo
O curandeiro e o pajé
O cético de candomblé
O em pé e o deitado
Quem sabe até o dopado
quem sabe todos mais alguns
Comecem a fazer jejum
Para acabar com a arquibancada
De onde se vê tudo
Mas não se pode fazer nada.











Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 25/11/2006
Código do texto: T301256

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Orivaldo Grandizoli). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
6780 textos (102538 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 10:47)