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Décimo segundo andar...

Décimo segundo andar,

Da janela ver-se a vida

Apresada num vai e em frenético.

Seres dispersos, caminhando a ermo,

Perdidos em suas próprias dimensões,

Correndo atras de suas emoções.

Muitos não conhecem a música do mundo,

E fora de ritmo, esbarram, tropeçam...

 Fadados a serem gado... Pastar pelo alimento,

Sem sonhar, sem buscar o Graal de sua existência.

Seguem no seu mutismo fantasma... Seguindo pelas calçadas,

Bitolados, na busca de soluções para seus dilemas, problemas...

Presos as metas, escravos do tempo

Concentrados no ter, esquecem do ser...

Direcionados  arreios,

Nem percebem os olhos alheios!

E a tristeza se espalha, e o povo prossegue

Letárgica no vai e vem, viciados no viver por viver.

Ópio, tem nome de civilização,

Eu chamo de falta de sensibilização,

Sociedade que formam zumbis.

Do décimo segundo andar, fico olhando a vida passar

Meu corpo não sai do lugar... Meu espírito querendo voar!

Querendo os mundos conhecer, aprender com cada ser,

E o vazio me invade e atormenta retina,

Pois me projeto ali, me vejo a seguir a mesma rotina.

Sem ouvir a música do mundo...

Preto e branco que estou,

Retratada na aquarela da vida...

Alheia as flores e cores,

Do pulsar de amores e dores!

Estou no décimo segundo andar,

Sem noção de distância entre tempo e o espaço

A realidade de braços dados com a  imaginação,

Me torno inteira emoção,

E ultrapasso a fronteira entre esses mundos

Mergulho na essência da existência...

Me aproximo de nossa verdade,

Explicita como o navio depende de um porto...

Como é frágil o nosso corpo!

Me entrego ao tormento,

Como é fugaz nosso momento!

Vestidos de heróis, lutando contra as procelas da vida

Ensimesmados em nossas armaduras corpóreas,

Vaidosos, buscando sempre glórias,

Não nós percebemos vaporosos,

Como os pensamentos que me atropelam agora,

E brincam com minha sanidade...

Somo seres dotados de histórias,

Todos, sem exceção, beijados,

Por derrotas, vitórias...

Do décimo segundo andar,

A vida passa apressada, aflita,

Escorrega-me entre os dedos,

A sensação de segurança,

E num mundo de gigantes me sinto perdida

Me sinto tão pequenina,

O céu tão próximo e eu tão ínfima...

O osculo do vento me acaricia,

E uma vertigem me nubla o olhar,

O azul me seduz.... a vontade de voar me domina.

Um instante de mediunidade... Fascinada e entregue,

Volto a realidade, olho o chão,

O medo me invade, por sorte,

Pois se pulo, não tenho asas,

E me espera de braços abertos, a morte

A única certeza da vida...

A vontade de viver me empurra para o elevador

Desço, chegando a calçada, me misturo com a massa

Mortal, olho para o alto,

E a sensação de igualdade me envolve,

E penso: __Sou real mais posso sonhar, viajar...

E conseguir voltar do Ades

E a primavera me espera,

Estou viva e forte...

Firmo então meu olhar no horizonte,

Sigo minha estrada,

Caminhando como tanta gente,

Outra vez, no vai e vem das calçadas.

Sorrindo satisfeita, me sentindo feliz

O futuro é uma incógnita,

Um universo a se revelar... Para você, para mim,

A surpresa e é a alma do mundo,

Nasce na madre da esperança,

Nós pega nos colo, nos amamenta e acolhe...

Nós tornando seres melhores!

Observadora
Enviado por Observadora em 26/11/2006
Código do texto: T301733
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Sobre a autora
Observadora
Salvador - Bahia - Brasil, 50 anos
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