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Uma noite de Luxúria

Uma doce melodia toca esse ar negro..
Com as notas fúnebres dum incenso
Na mansão real do mal imenso
Com cortinas aveludadas em tom rubro
Um grito gélido dum fantasma solitário
Que gela e paralisa na canção do mistério
Alguma coisa bate na soleira umbral
— Quem és tu, viajante ocasional?

Mas ao som sob esse ar mais negro
Com o eco cacofônico do vento
Que gela tudo por um momento
E bate novamente esse malogro
Está tão frio a condenar meu calvário
E meus ossos fracos, dum otário
Alguma coisa ainda bate ao meu umbral
— Quem és? Homem ou animal?

E um violino triste canta notas mortas
Esse silêncio mortuário me dá calafrio
Como um bobo que ri do desvario
E cada vez que o relógio dá voltas
Minha agonia cresce a cada maldita hora
E um eco mudo me gela com essa demora
De quem bate sem parar em meu umbral
— Quem és tu, oh viajante infernal?

Ele não responde. E como és incertas
As virtudes dum incenso sombrio
A fumaça que exala de cor tão febril
E não há respostas corretas
À minha dúvida que está lá fora
Minha curiosidade por ti aflora
De saber quem bate nesse umbral
— E quem és tu a bater, afinal?

Eis que então eu abro a porta, devagar
Com meu pulso e coração tremeluzente
De medo desse viajante não ser gente
Vejo uma sombra que não ousa recuar
E paro para pensar, de medo tremendo
Pois o que vi não podia ser mais horrendo
Por saber, agora quem bateu aqui no umbral
— Por que vieste a mim, dama mortal?

De uma tez mais pálida, que me faz soluçar
Eu, que me julgava um ser tão descrente
Tremo ante essa morbidez tão atraente
Com olhos azuis como o profundo mar
Tendo em mente uma imagem gemendo
Me faz deplorar no chão sofrendo
Este ser etéreo que visitou em meu umbral
— Por que vinde a mim, sombra imortal?

Então teu roxo lábio toca meu corpo
Com a volúpia que inflama meus sentidos
Rápida corre dentro dos meus tecidos
E cada instante em que me culpo
Some nesse ar mais negro e mais sombrio
E meu corpo está tremendo de frio
Criatura bela que bateu em meu umbral
— Flamai em mim essa chama sensual!

Pelo gozo do meu tormento eu escapo
Com as chagas desse espírito doído
E meu coração desamado jaz partido
Nas rédeas da Loucura eu galopo
Minha última noite eu senti um calafrio
Num último suspiro em tom doentio
Espírito de preto que bateu em meu umbral
— Parti daqui passando por um lutuoso portal!
Fabio Melo
Enviado por Fabio Melo em 28/11/2006
Código do texto: T303401

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Sobre o autor
Fabio Melo
Santo André - São Paulo - Brasil, 32 anos
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6 áudios (1607 audições)
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Fabio Melo