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A CHUVA DE AÇOITE E A PORTA EMPENADA

pedi à amada triste que partisse,
levada, como a enxurrada ao oceano.

É extremamente incômodo ver uma mulher chorando
com a mágoa transbordando copo e corpo afora;
principalmente se esta mulher for a inesperada
que compartilhou páginas dobradas e livros
escovas de dentes com o mesmo hálito
da noite no tempo do dia acordado.

Constrangia-me vê-la dessentida de alegrias!

pedi à amada triste que, ao sair
sem bater a porta,
não virasse as costas
nem escutasse as tristezas guardadas em mim.

Constrangia-me vê-la tentando disfarçar sua voz!

pedi à amada triste: silencio
absoluto até de soluço!

a entrada da porta ficará sempre fechada
enquanto minha tristeza covarde
afogar-se em seus medos.

É extremamente inquietante ver uma mulher chorando
com a dignidade do nariz empinado no lenço seco;
principalmente se esta mulher for a irrequieta
que acordou os sonos e dividiu os escuros
cegos do inquieto dormir pleno e claro
sem tempo de sonhar assombrado.

Constrangia-me, sensato, vê-la enxugando tristezas!

E, depois da dor afogada nos mares,
sem lenço, ela volta como nuvem
pesada de chuva,
açoitando a  porta da casa
batendo para entrar.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 03/07/2005
Código do texto: T30517
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho